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Morte de policiais: a urgente aproximação entre polícia e sociedade

Rafael Alcadipani



Em poucos dias, o cabo da PM Jair de Lima Rodrigues foi executado em serviço na Zona Leste de São Paulo. Na mesma região da cidade, o Policial Civil Rene Robson Rodrigues foi executado quando tentava, junto com outros parceiros, prender um procurado pela justiça. A população se insurgiu contra os policiais e durante o entrevero criminosos atiraram inúmeras vezes contra o agente da lei. No Rio de Janeiro, o sargento PM Alves foi morto quando estava trabalhando em uma blitz da lei seca. Além disso, policiais das diferentes forças tem enfrentado resistência da população quando tentam realizar o seu trabalho. Cada vez de forma mais frequente, policiais são ofendidos e objetos são atirados contra os que tentam efetuar prisões.

A morte de policiais acirra ainda mais os ânimos dentro das polícias. Eles passam a se sentir acuados e literalmente “caçados” no seu cotidiano de trabalho. Reagem aumentando a sua desconfiança. Quando um colega é vitimado, sentem-se desamparados pela mídia, que tende a dar menos atenção para os casos de morte de policiais do que de aos casos de abuso por eles praticados.

Policiais também se sentem desamparados pelos governos que muitas vezes criam dificuldades para liberar as indenizações para as famílias dos colegas mortos e não promovem melhoria das condições de trabalho dos agentes da lei cuja remuneração é baixa se comparada com a de profissionais militares de outros países e, mesmo, de outras profissões.

Vale, ainda, frisar que recentes reportagens mostram que uma grande parte dos PMs possuem dívidas. O mesmo se repete nas Polícias Civis. Além disso, os policiais também reclamam da falta do fornecimento de equipamentos de segurança adequados para as suas atividades. Por exemplo, o armamento da polícia paulista é de má qualidade, viaturas não possuem qualquer tipo de blindagem, muitas não são adequadas para o trabalho policial e não há muita disponibilidade de armas menos letais para lidar com distúrbios coletivos. É urgente rever este quadro.

É fundamental que os governos sejam rápidos em amparar as famílias dos policiais mortos em serviço. É necessário, ainda, que haja penas de prisão extremamente duras e sem possibilidade de progressão para quem matar um policial. A mídia precisa dar mais visibilidade para os problemas que enfrentam os policiais no cotidiano e deixar mais claro à população que não se pode aceitar a morte de um agente da lei. Por fim, todos nós precisamos apoiar mais o trabalho de nossas polícias.

Durante meu período de pesquisa nos Estados Unidos em 2016, pude acompanhar quando policiais foram mortos por um atirador. No mesmo dia, notei que inúmeras pessoas se dirigirem a policias na rua para mostrar o apreço pelo trabalho que eles realizam e expressar condolências pela morte de seus colegas. Não resta dúvida de que as polícias precisam também se aproximar mais da população, principalmente nas áreas periféricas. Mesmo assim, é urgente desarmarmos nossos espíritos contra os policiais. Apoiar as polícias não é aceitar que ilegalidades sejam cometidas ou praticadas contra quem quer que seja. Apoiar as polícias é entender o sofrimento cotidiano pelo qual passam os policiais e trazê-los para perto de cada um de nós para juntos construirmos a polícia que queremos.

Rafael Alcadipani, PhD pela Manchester Business School e professor Adjunto da FGV EAESP, bem como associado pleno junto ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública . Foi visiting professor na Istanbul Bigli University, visiting researcher na Manchester Business School, na University of Gothenburg e no Boston College.


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